segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sístole Diástole

Sístole Diástole Sístole Diástole
O mundo corre em volta
O suspiro se solta
Num som já nauseante
Não sou tão importante.

Sístole Diástole Sístole Diástole
Clamam o errado
Condenam o mal-arrumado
Recusam a assistência
Para a sobrevivência

Sístole Diástole Sístole Diástole
Um sentimento acre já me sobe à boca
Acredito nos acréscimos de uma mente louca
E aos poucos, também minha mente enlouquece
Eu não mereço o mundo, ou o mundo não me merece?

Sístole Diástole Sístole Diástole
Espirra o sangue no mangue escuro
Algumas palavras escritas num muro
Com uma enorme fachada de ideologia
Que me vêm a causar até asfixia.

Sístole Diástole Sístole Diástole
Meu coração bate forte e ritmado
Como os tiros de um revólver descontrolado
As pessoas choram inconscientemente
Vivendo suas rotinas intensamente

Sístole Diástole Sístole Diástole
De que vale um deus p’ra essa gente sã?Deus é pr’os ébrios, não p’ra a gente cristã
Que vai ao mercado com dinheiro contado
E transa depois do casamento consumado.

Sístole Diástole Sístole Diástole
Pego mi’a garrafa de um álcool qualquer
Começo a imaginar o corpo de uma mulher
Na tentativa falha de um prazer momentâneo
Ou lúgubre, ou teso ou talvez instantâneo

Sístole Diástole Sístole Diástole
Começo então a rezar para um deus profano
Que muda de endereço de ano em ano
Na loucura da luxúria de um vão momento
Eu começo a idolatrar algum monumento
Sístole Diástole Sístole Diástole
Olho pr’esse povo pueril... e vejo o vazio.
Olho para o sol e vejo o meu ego... Fico cego
Tentando enxergar algo com potencial
Que não me atinge, não me toca... Algo banal.

Sístole Diástole Sístole Diástole
Tento me entender com filosofias baratas
Como o feijão direto das latas
E durmo no chão, só p’ra aumentar a decadência
E grito em vão, p’ra destruir a decência.

Sístole Diástole Sístole Diástole
Nas batidas vãs de um coração flamejante
De um desesperado ao qual não há deus que encante
Vive a loucura, a usura, o desejo de uma figura
Ou de uma loja nova que o demo inaugura.

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
O demônio saltita pelas pedras do inferno
E os humanos têm sentimentos ternos
Que se apagam sempre com uma desilusão
É assim que se mata um bom coração

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
As filosofias são livros de auto-ajuda
Destinados a quem só mesmo Deus que acuda
Começo a ver beleza até nos indecentes
Os tímidos são sempre os mais inteligentes.

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
O povo pueril não presta, resta
O Sol não resvala em mi’a cabeça ou testa
Não bate em meu corpo, não me ilumina
Só ilumina aquelas fúteis meninas

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
Os deuses? Todos são profanos.
Por mais que com seus protetores arcanos
Torno-me ateu, vivo no breu
E a bíblia... Nem mesmo Deus leu.

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
Beber e pensar sim, talvez me ajude
Me leve a uma ilha, um campo ou a um açude
Aonde o absurdo aconteça com as fadas
Aonde divinizem as mulheres safadas.
Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
E assim talvez eu possa um dia pensar em Deus
Sentado em mi’a poltrona, escravizando os seus
Pois Deus sempre foi escravizado pelo homem
Rezam, transam, bebem, fumam e somem.

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
As rotinas das meninas finas e frescas
Com roupas e tapeçarias arabescas
Nada servem, e essas é que vão p’ro céu
De que me adiantaria ser um servo fiel?

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
E as ideologias frias deste povo
Que grita ser possível fazer um mundo novo
Acabar-se-á um dia numa tumba
Como Lênin,que jaz em sua catacumba.

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
Já a loucura, esta me é louvável
Traz-me um sentimento doce e afável
Similar ao gosto ácido do veneno
Até seu custo se torna pequeno.

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
Se essa gente rica de corpo e pobre de cabeça
Encontra no vão algo que prevaleça
Que expurgue a razão, e Deus agradece
Hipocritamente, pois a terra lhes desce.

Sinto-me um idiota aqui Sinto-me um idiota aqui
E o som do burburinho dessa cidade fria
Continua a causar-me eterna arritmia
Até que um dia chega em que me dão a morte
A menor hipocrisia que jaz na minha sorte.

Níkolas Sansão

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