Agora...
Agora eu sou sozinho
Como as pombas que catam restos
Um pássaro expurgo do ninho
Um alvo de manifestos
Sou terra seca e queimada
Que espera um tempo para ser usada.
Sou livro cheio de ácaros
Eu sou o abutre dos pássaros!
Eu sou a neve que seca,
O cadáver que se disseca
Eu sou a foice estragada
Que não vive e nem mata mais nada
Eu sou as veias do campo
Que trabalham sem ninguém saber
Eu nasci como a fumaça
E como a fumaça eu vou morrer.
Um cigarro que é consumido
E em pouco tempo será descartado.
O enigma de um ruído abafado.
A incerteza de um brado emitido.
Agora eu sou a tristeza
Sou um rato que cai na ratoeira
Sou o álcool misturado à besteira
Sou o símbolo da avareza.
Sou um coração que não morre
Sou a lágrima fria que escorre
Sou a dor sedenta de um parto
A frialdade lenta de um quarto
Sou um boêmio sem amplitude
Eu sou a derrota da atitude
Sou a marmota cega na terra
Sou a dúvida que alega e erra.
Não sou nada.
Nada além de um corpo solto
A dor escarrada
Dos vermes que vagam no esgoto.
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